Como será a vida após a pandemia de coronavírus?

Como será a vida após a pandemia de coronavírus?

O ano de 2020 definitivamente entrará para a história. Desde 31 de dezembro de 2019, quando a China alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre uma pneumonia de origem desconhecida, a vida no planeta não é a mesma.

A Covid-19 impactou as relações humanas. Mais de três milhões de pessoas foram infectadas com a doença no planeta, em uma contagem que não para de crescer, inclusive no Brasil. Bilhões estão presos em casa, saindo apenas para atividades essenciais, tentando, do jeito que dá, conter o avanço do “mal invisível” e evitar o colapso do sistema de saúde.

A doença, que pode infectar qualquer pessoa, assusta pela grande quantidade de mortes – só no Brasil, mais de seis mil pessoas já faleceram em decorrência da Covid-19. Enquanto não houver uma vacina ou um tratamento eficaz que garanta a segurança de andar na rua sem máscara e sem medo de se contaminar e, pior, de infectar a própria família, o mundo não será o mesmo.

Da forma como nos divertimos ao modo como gastamos dinheiro, nada será como antes. Em isolamento, milhares de pessoas começaram a repensar o próprio estilo de vida. Será que precisamos comprar tanto? Conseguiremos estar em grandes aglomerações novamente?

Para especialistas e historiadores, a pandemia de coronavírus é o mais importante marco do século 21. Muitos se perguntam, então, qual o futuro das relações humanas e como tirar lições positivas da maior catástrofe mundial da última década, na qual já morreram, até o momento, 235 mil pessoas.

Ao Metrópoles, especialistas trazem algumas respostas.

Menos intolerância e individualidade

Para Erci Ribeiro, mestre em psicologia e professora de serviço social no IESB, vivíamos, até essa crise, dentro de uma avalanche de intolerâncias e egocentrismo. O cenário era o de uma ode à individualidade, o que ela chama de “era da selfie e da própria satisfação”.

“Estamos, agora, em um processo que a psicologia chama de catarse, um caldeirão que ‘mistura’ medos, ansiedades e fragilidades políticas. Não se restringe a não termos mais contato físico uns com os outros, mas sobre reflexões a respeito de nossas responsabilidades e limites”, pondera.

Erci acredita que é possível que a vida pós-coronavírus seja menos cheia de intolerâncias religiosas e discursos radicais. Segundo ela, como a vida de todas as pessoas foi igualmente ameaçada pela doença, o olhar humano, independentemente de rótulos e crenças, deve prevalecer em um novo mundo.

“De forma positiva, vejo a possibilidade, findada a pandemia, da busca de diferentes estratégias para viver em sociedade. Essas reflexões podem culminar em um novo propósito de vida coletiva”, defende.

Retorno ao núcleo familiar

Ainda segundo a especialista, o retorno do convívio familiar é outro aspecto relevante. Com o isolamento social, que hoje é quase obrigatório para evitar que a pandemia se espalhe ainda mais, as pessoas que moram debaixo do mesmo teto têm a oportunidade de se reconectar. “Os contatos, outrora fragmentados, passam a ser contínuos”, diz. O resultado é uma humanização das relações, muitas vezes automatizadas pelo ir e vir da rotina em grandes cidades.

Presos dentro casa, relacionamentos em crise podem acabar, enquanto os que precisavam de mais tempo para reforçar elos serão beneficiados. A pandemia serviria como uma lente de aumento ao que precisa de conserto.

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